A diversidade interessa

Por Márcia Santos Almeida em . Publicado em Artigos

Há um mês atrás ocorreu em Amsterdã o evento de três dias da comunidade de Laravel, Laracon EU 2014. Pra quem não está familiarizado, Laravel é um framework de desenvolvimento usando PHP. Acesse o site deles para mais informações.

Fui selecionada para dar uma palestra no community day sobre igualdade de gênero na área de tecnologia. E a minha maior preocupação foi de descobrir uma maneira de falar sobre esse assunto sensível, sem me passar por uma feminazi. Porque é muito fácil colocar a culpa de toda a segregação que ocorre como culpa dos homens, e isso não é o que penso e nem o que eu queria passar.

Resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto para ver o que a comunidade científica tinha no assunto e encontrei coisas muito legais no site do Insituto Anita Borg e do Projeto Implicit. E a cada relatório que eu lia dessas instituições me redirecionava pra outras fontes, que me levaram a pesquisas que nem sabia que foram feitas.

No fim das contas consegui dados fortes e precisos, e coloquei o meu insight como mulher que trabalha na indústria, assim surgiu a minha palestra. Coding like a girl, o título é em referência ao “like a girl” da língua inglesa, comumente usado de forma perjorativa.

E ao apresentar, vi que as pessoas realmente estavam interessadas no assunto e que muitos ali não tinham noção de como a indústria é com relação às mulheres, nem noção do que um grupo com diversidade de gênero pode alcançar. Vale apontar que o grupo ali presente era a maioria que temos hoje no cenário: homens brancos, e não, eles não são parte da minoria, porém pude ver que a diversidade interessa para eles.

Recentemente o Business Insider soltou uma matéria falando que empresas com mulheres na diretoria, têm um desempenho melhor no mercado de ações. Link para a matéria aqui (em inglês). Esse resultado do mundo real, também foi encontrado em pesquisas.

Mas o que realmente quero abordar é que em nenhum momento senti hostilidade por parte da platéia, e fiquei muito feliz de ver que eu consegui passar o meu recado de forma concisa e racional, sem cair no velho clichê que mulher é bom nisso, e homem é bom naquilo.

O público da conferência era de quase 300 pessoas, e pelo que pude “contar” visualmente, eram 10 mulheres, e o que me surpreendeu, é que os organizadores se esforçaram em nos acolher, e inclusive fizeram camisetas femininas. Parece uma coisa sem consequência se preocupar com camiseta feminina, mas isso mostra o grau de preocupação deles em incluir o grupo em tudo que foi feito lá.

Conversando com outras pessoas, não senti uma diferença de tratamento entre palestrantes e audiência, todo mundo era livre pra conversar com todo mundo, e a comunidade em si parecia muito unida.

O resultado de todo esse tempo lá foi o weDiversifi. O weDiversifi é uma iniciativa para aumentar a consciência das empresas para igualdade, nesse caso qualquer tipo de igualdade, e dar espaço para elas se comprometerem com a causa e postar os seus feeds de vagas. É uma iniciativa que ainda está em desenvolvimento e que precisa da ajuda de quem quiser contribuir. Eu estou muito empolgada com a idéia, e quero deixar em aberto para quem quiser contribuir para passar lá no site e entrar em contato.

E para acabar uma frase:

“A diversidade é o motor da inovação”

Os slides da palestra podem ser encontrados aqui e o feedback da platéia aqui.

Gabriela D'Ávilla
Você não tem permissão para ver ou postar comentários.
No tweets found.
  • mamu